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domingo, 5 de agosto de 2007

diário de um tasko-dependente, 5

preto e branco a cores

...

as cores devaneiam pelo meio do álcool
e não me abandona esta sensação
de entorpecimento permanente
reflexo óbvio do abuso da introspecção
alterada pela substância dionisíaca

as cores viajam pelas nuances
e ensinam-me novas palavras
para as descrever no monólogo

as cores preenchem-me o olhar
fechado sobre si próprio
não sem apelos variados à comunicação
menos monocórdica
e menos suja de discórdia
entre verdades aceites e não aceites

as cores dançam porque é isso que elas sabem fazer
entre o som e o silêncio elas encontram o seu rumo
sem o ter perdido..

as cores conhecem-me bem
longas são as histórias partilhadas
em carnavais e funerais
imaginados ou apenas reais
sempre têm palavras para mim
nem sempre as que procuro
mas sempre as que perdi

as cores vão morrendo na névoa
picam o ponto e dão o seu lugar
aos cinzentos
que também são cores mas menos livres
sindicalizadas sem direito a loucuras

as cores abandonam-me
na altura em que mais necessito
que me abandonem
sem me sussurrarem adeus
mas até já

as cores ficam sempre
mesmo depois de partirem
fazem-me parte delas e nelas já tanto vivi..

quinta-feira, 26 de julho de 2007

diário de um tasko-dependente, 4

tenho andado a pensar cá com os meus zippers (sim, sou um tipo moderno), e vou considerar a seguinte ideia: uma alimentação exclusivamente à base de álcool..

para aqueles que gostam de comer sopa, só tenho uma coisa a dizer: SOPA!!? mas querem realmente que eu beba água suja da confecção de um qualquer alimento, metendo-lhe algumas ervas aromáticas, e lhe chame uma refeição??? meus amigos, NÃO FAZ SENTIDO...

o peixe até marchava, mas à pala de tanto me chamarem peixe, perdi-lhe o gosto.. não tenho jeito para canibal.. além disso, de peixe, só gosto de bacalhau e marisco.. sim, para mim é tudo a mesma coisa desde que venha do mar.. se algum dia pescar um téni(?), chamo-lhe Nemo..

à carne ainda vou dizendo que sim.. afinal de contas, é sempre um bom pretexto para beber mais uns copos de tinto, e como a digestão é difícil, trata os digestivos por tu.. hmmm, até simpatizo com a carne..

e chegamos à fruta, ou como acho especialmente engraçado, peças de fruta.. então mas a fruta é algum puzzle?? já imagino o gajo (ou gaja) que inventou essa expressão, algures num corredor do júlio de matos, a fazer puzzles do mordillo no chão, mas com bananas e talhadas de melão.. vamos lá ver, meus amigos, andam a brincar connosco.. e depois eu é que sou maluco..

e finalmente chegamos aos doces.. à excepção dos habituais bombons recheados com licores diversos, vou também abandonar a doçaria de vez.. faz mal à saúde e, regra geral, não dá bezana, por isso, adeus..

é como vos digo, o álcool, como está empiricamente provado por tantas e tantas personagens (muitas delas residentes em almada), é alimento suficiente para qualquer pessoa.. para provar isto mesmo, deixo-vos aqui uma receita simples, mas bem apetitosa e nutritiva lá para casa.. até os mais pequenitos podem partilhar do manjar..

entradas e aperitivos:
meia dúzia de martinis, intervalados por umas minis bem fresquinhas (estas são para desenjoar, caso não tenham tomado pequeno almoço, o martini pode ser pesado)

prato principal:
1 jarro de tinto
1 jarro de branco
bebidas brancas à discrição
toda a cerveja que quiserem engolir, mas nada daquelas paneleirices das zero e das linhas.. cerveja é cerveja é cerveja e o resto é água..

sobremesa:
uns cocktails caem sempre bem, tais como mojitos, caipirinhas, margaritas e afins.. para um toque mais refinado, juntar umas taças de champanhe..

digestivos:
percorrer todas as garrafas e outros vasilhames e ingerir todos os restantes álcoois que conseguirem encontrar, de forma a que consigam perder a consciência antes que se apercebam das figuras que irão estar a fazer neste momento..

e por agora é tudo.. para a semana, talvez me lembre (dependerá do nível de alcoolémia) de vos trazer uma excelente refeição caseira, por mim idealizada, perfeita para o pequeno almoço: sopas de elefante cansado, à base de álcool etílico e absinto.. hmmm..

cheers..

quinta-feira, 19 de julho de 2007

diário de um tasko-dependente, 3

agarro o vinho e fujo
esta vida que aqui levo é minha!
grito no desespero da lentidão
de quem se sente preso
antes da fuga

mas o dia é também meu
pois consigo com o néctar escapar
e a balbuciar coisas sem nexo
verto nos lábios a esperança
de um filme diferente, com final feliz
sem estrelas secundárias
a interromper o monólogo

sentado já na ressaca
da permanente secura de bêbedo
incendeio um cigarro
com a alma ainda em ferida
mas a cicatrizar
olho pelos cantos do fumo
e não vejo tristeza
a navegar perdida
adormeço e regresso
ao cais da partida

domingo, 8 de julho de 2007

diário de um tasko-dependente, 2

agora que o verão parece ter acordado para a vida, já comia uns caracóis, bem aconchegados pelo pão torrado e afogados post-mortem por umas belas imperiais.. super de preferência..

hummm.. pensando melhor, acho que o que caía bem mesmo era uma sangria à alien.. com pau de canela ou canela de pau, não interessa muito, desde que lá estejam os amigos para ver o fundo à especiaria.. e aos copos..

ou na falta dos velozes moluscos, temos sempre o amigo choco, que banhado às altas temperaturas do óleo ou azeite, se torna, porra, assim a modos que demasiado bom mesmo.. e é neste caso que a imperial impera, sem rival.. e o picapau.. e as moelas.. ou o bobo tremoço, tantas vezes menosprezado para logo de seguida ser apreciado.. epá, é impressão minha ou portugal é o país do petisco? olha que és capaz de ter razão ó moleiro, e ainda nem cheguei aos enchidos e aos queijos.. hmmm..

o estômago começa por esta altura a abrir os portões, e o palato a alumiar o caminho para que os petiscos melhor por lá passeiem.. penso por isso que estará na hora de a ambos dar a devida atenção e os caracóis começar a caçar..

levanto a caneca e..

cheers

quinta-feira, 14 de junho de 2007

diário de um tasko-dependente, 1

esta nortada não está com nada, já esperançava ir hoje à taska beber dois dedos de conversa mas assim.. não sei..
enfim, que dizer agora que este ansiado refúgio outro parece já sólido e firme na sua ainda breve existência?
apenas talvez que os clientes começam já a aparecer, menos ou mais regulares, e que as conversas soltas roçam já o familiar..

uns abrem, outros entrefecham..

em Almada, o santo alheio foi mais uma vez festejado e ainda bem (digo eu e não sou o único), mas foi triste a confirmação de impressões já antigas: a noite do sahara almadense está, de facto, moribunda, agarrando-se à vida através de dois ou três apêndices que ainda vão atraindo velhos amigos, e são de saudar esses sítios, com histórias mais ou menos atribuladas..
que seria da noite em Almada sem a velha e constante Cerca da Noite?
ou sem esse velho espaço exíguo que dá pelo nome de AlmadaVelha-AlmaDaVelha-Alma-LadoNegro (e tenho a certeza que alguns houve que me fugiram à memória), entre conhecedores?
já para não falar mais a fundo de outros poisos, menos do meu agrado ao longo dos anos, como o AVB (boa caipiroska, porra!), a Toca (não, a sério, quem não conhece dê-se por feliz..), o Tobi, o Manecas, o recente Picasso (abraço Rui), etc...
isto, claro, em Almada velha..
outros sítios, com boa pinga e people existem, mas isso são outras noites..

por ora, vou frequentando esta nova taska almadense, sem no entanto esquecer esses retiros espirituais nas outras menos tascas, que me viram vaguear ao longo dos já alguns anos em que Almada me adoptou como filho..

cheers..